Nesta segunda semana de julho, entre os dias 8 e 12, o Parque de Exposições Edilson Lamartine Mendes deveria ter sido palco da mais tradicional festa anual da região: com os portões abertos, a plateia cheia e o som dos shows tomando conta da noite ituramense. Em vez disso, o recinto segue vazio e sem vida. Não haverá Exporama em 2026.
O cancelamento da 48ª edição foi anunciado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Iturama no início de abril, por meio de comunicado oficial, que atribuiu a decisão a "diversos fatores", sem detalhar quais. Até o momento, sindicato e Prefeitura não deram um posicionamento conjunto sobre o que, exatamente, inviabilizou a festa deste ano.
Para dimensionar o tamanho do evento: o Parque de Exposições Edilson Lamartine Mendes é considerado um dos maiores recintos cobertos da América Latina. É ali que a Exporama reúne, todos os anos, atividades pensadas para o produtor rural e, como entretenimento para o público geral, oferece rodeio profissional, parque de diversões e shows de peso. Uma combinação que, segundo o próprio sindicato, gera forte movimentação no comércio local e estimula os negócios do agro.
Historicamente organizada pelo sindicato, a festa passou nos últimos anos a contar com aporte cada vez maior do poder público. Na edição passada, a 47ª Exporama teve entrada franca e foi anunciada conjuntamente por prefeitura e sindicato — sinal de que o financiamento público já sustentava boa parte da estrutura do evento.
Afinal, de quem é a culpa?
Apurou O Pontal News que o impasse deste ano nasce exatamente dessa dependência: ao migrar para um formato de entrada gratuita bancado por recursos públicos, o sindicato abriu espaço para que a continuidade da festa passasse a depender de decisões orçamentárias da Prefeitura. Decisões sobre as quais a entidade não tem controle. Neste ano, o aporte municipal não veio no mesmo volume dos anos anteriores, e o sindicato optou por não assumir sozinho o custo de manter a festa no padrão a que o público se acostumou. Nenhuma das partes assumiu publicamente o desacordo.
Na prática, quem sente o cancelamento primeiro é o comércio. A Exporama sempre funcionou como uma injeção pontual de renda: hospedagem, alimentação, lojas, transporte, bares e vendedores ambulantes vivem, nesta semana, um movimento que não se repete no resto do ano. Sem contar negócios de maior porte que também usam o evento como vitrine.
Independentemente de quem seja a culpa pela não-realização da festa mais querida dos ituramenses, fato é que cidades vizinhas como Carneirinho, Campina Verde, Fernandópolis, e Itapagipe tiveram, este ano, suas festas de pé. Iturama, não. E quem pagou o preço mais alto foram os comerciantes.





