Entre 17 de abril e 15 de julho, oito páginas de pré-candidatos a deputado federal com atuação no Triângulo Mineiro somaram R$ 206,4 mil em anúncios nas redes sociais. Levantamento realizado por O Pontal News na Biblioteca de Anúncios da Meta, ferramenta gratuita que permite monitorar anúncios ativos ou inativos veiculados no Instagram, Facebook, Messenger e WhatsApp, trouxe revelações importantes. A pesquisa mostrou que, no período de 90 dias, um único deputado responde por quase metade de toda a verba investida em publicidade nas plataformas da Meta.
André Janones, que trocou o Avante pela Rede Sustentabilidade na última janela partidária e articula apoio à reeleição de Lula em Minas, investiu R$ 97,2 mil — 47% de todo o montante gasto pelos políticos mineiros monitorados. Sozinho, ele aplicou o equivalente a quase 90% do que os outros sete pré-candidatos somaram juntos.
Zé Vitor, com base eleitoral em Araguari, aparece em segundo lugar, com R$ 37,2 mil — menos da metade do valor de Janones. Em seguida vem Weliton Prado, que migrou do Solidariedade para o PSD e busca reeleição com apoio do prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP), com R$ 24,2 mil.
Dois deputados do Pontal
Dois dos oito nomes do levantamento nasceram na mesma cidade pequena do Pontal do Triângulo: Iturama, que tem cerca de 40 mil habitantes. Maurício do Vôlei (PL) investiu R$ 19,5 mil no período e confirmou recentemente que tentará se reeleger por seu partido. Já Zé Silva, que deixou o Solidariedade e se filiou ao União Brasil na janela partidária, aplicou R$ 12,6 mil.
A proporção entre seguidores e investimento em publicidade também merece atenção. Maurício do Vôlei tem 398,9 mil curtidas em sua página no Facebook (a segunda maior base do grupo, atrás apenas de Janones, com 7,9 milhões), mas ocupa só a quarta posição em gasto. O ex-atleta olímpico com 2,3 milhões de seguidores no Instagram parece depender menos de anúncios pagos para manter um bom alcance. No Instagram, Janones é seguido por 2,7 milhões.
Já a Delegada Lia Valechi, cotada para a disputa federal em Uberlândia pelo União Brasil, chama atenção pela lógica inversa: com apenas 398 curtidas na página do Facebook (a menor base de todo o levantamento), já aplicou R$ 8,1 mil em anúncios. Quase o dobro do valor de Ana Paula Junqueira Leão, que tem 9,7 mil seguidores. No Instagram o jogo muda, com os 352 mil seguidores de Valechi e os 32 mil de Leão.
Ana Paula Junqueira Leão (PP), que deve buscar reeleição com apoio da base política do marido, o ex-prefeito Odelmo Leão, gastou R$ 5,3 mil com anúncios da Meta em sua pré-campanha. Enquanto Dandara Tonantzin (PT), também de Uberlândia e em busca de reeleição, fecha a lista com R$ 2,3 mil — a página com maior número de seguidores entre as pré-candidatas (11,4 mil no Facebook e 155 mil no Instagram), mas com o menor gasto de todos.
Ranking do investimento (17/04 a 15/07/2026)

TSE permite impulsionamento na pré-campanha, mas com moderação
A Resolução TSE nº 23.755/2026, que atualizou as regras de propaganda na internet para o pleito deste ano, mantém a permissão para impulsionar conteúdo antes do início oficial da campanha, mas condiciona isso a quatro exigências simultâneas: contratação direta com a plataforma pelo partido, federação ou pré-candidato; ausência de pedido explícito de voto; gastos moderados, proporcionais e transparentes; e identificação clara de que se trata de publicação impulsionada, com repositório público dos dados de contratação.
A própria jurisprudência do TSE trata o teto de gastos da campanha oficial como um dos parâmetros para avaliar se o investimento na pré-campanha foi proporcional. Para deputado federal, o limite fixado para 2026 é de R$ 3.176.572,53 — valor único para todo o país, mantido sem correção em relação a 2022.
Sob essa régua, mesmo o investimento de Janones representa 3% do teto total permitido numa campanha; o de Dandara Tonantzin, 0,07%. Isoladamente, nenhum dos valores levantados indica irregularidade — a análise de moderação é feita caso a caso pela Justiça Eleitoral, considerando o cargo em disputa.
A Biblioteca de Anúncios não identifica, no relatório geral, quem aparece como pagador declarado em cada anúncio (se o próprio político, o partido ou terceiros), nem detalha quanto foi destinado a cada plataforma ou a que público as peças foram direcionadas. Os valores também não substituem prestação de contas eleitoral: a categoria usada pela Meta é ampla e inclui qualquer anúncio sobre temas sociais, eleições ou política, não apenas os que promovem diretamente uma pré-candidatura.





