Um artigo produzido pelo Jornal Esquema, de Frutal, na edição de 30 de agosto de 1981 (especial de aniversário de Iturama), traz números da gestão municipal que ajudam a entender uma fase de expansão da rede de ensino na região. Na época, o município ainda reunia um território maior do que o atual, com dezenas de prédios escolares espalhados por distritos que hoje pertencem a outras cidades do Pontal.
Uma frase do então prefeito Alípio Soares Barbosa resume a prioridade de sua gestão: a educação era, nas suas palavras, o principal instrumento para formar bons cidadãos no município. Os números da época mostram que essa não era só uma frase de efeito.
Segundo o documento, o orçamento municipal saiu de 20 milhões de cruzeiros (Cr$) no início da gestão, em 1977, para Cr$ 82 milhões em 1981, com previsão de chegar a Cr$ 150 milhões no ano seguinte. A fatia destinada à Educação cresceu de forma acentuada: partindo de irrisórios Cr$ 3.958 em 1977, o setor passou a receber Cr$ 23 milhões em 1981, e a previsão para o ano seguinte era de Cr$ 50 milhões — mais de 30% do orçamento total.
Para dimensionar esses valores, uma forma confiável é compará-los ao salário mínimo da época — Cr$ 8.464,80 em agosto de 1981. Nessa proporção, os Cr$ 23 milhões investidos em Educação naquele ano equivaliam a cerca de 2.717 salários mínimos; aplicando a mesma proporção ao piso atual, de R$ 1.621,00, o valor corresponde a aproximadamente R$ 4,4 milhões em poder de compra de hoje. O orçamento total do município no período, de Cr$ 82 milhões, representava cerca de 9.687 salários mínimos, o equivalente a cerca de R$ 15,7 milhões hoje.
O que chama atenção nesses números é o momento em que aparecem. Só dois anos depois, em dezembro de 1983, entraria em vigor a Emenda Calmon, primeira norma constitucional a obrigar estados e municípios a aplicar pelo menos 25% da arrecadação em Educação. A regra foi regulamentada por lei em 1985 e reafirmada pela Constituição de 1988. Segundo o documento, Iturama já superava esse patamar antes mesmo de ele existir.
Fonte: Jornal Esquema, edição de 30 de agosto de 1981.
Foto: Acervo do Arquivo Público Mineiro.
Pesquisa: Daiane Firme





