O avanço da tecnologia e a popularização dos serviços digitais vieram acompanhados de um crescimento alarmante nos crimes virtuais. Os números revelam a dimensão do problema: pesquisa do DataSenado aponta que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos já foram vítimas de algum golpe digital — o que representa mais de 40 milhões de pessoas que perderam dinheiro em função de algum crime cibernético. As perdas financeiras são igualmente expressivas: só em 2024, as estimativas indicam que violações de dados provocaram prejuízos da ordem de R$ 2,3 trilhões para os brasileiros.
Em Minas Gerais, o cenário é especialmente preocupante. Estudo publicado na Revista Brasileira de Segurança Pública revela uma transformação profunda no perfil da criminalidade no estado: entre 2018 e 2023, enquanto os crimes de roubo caíram 69%, o estelionato cresceu 453% — e o uso do meio eletrônico para a prática de crimes saltou 1.375% no mesmo período. Os dados apontam para uma migração dos criminosos do ambiente físico para o digital.
Em resposta a esse cenário, autoridades de diferentes esferas intensificaram campanhas educativas. O governo federal lançou, nesta terça-feira (19), um kit com orientações sobre privacidade e segurança da informação, com a intenção de ajudar na identificação de mensagens falsas, links suspeitos, tentativas de fraude e roubo de senhas. A série de materiais educativos inclui gibi, vídeos e sete novas publicações, entre normas, guias e políticas, disponíveis na página do Programa de Privacidade e Segurança da Informação (PPSI). Nas esferas estadual e municipal, o governo de Minas Gerais publicou um guia prático de prevenção e a Polícia Militar da região de Iturama também divulgou orientações.
Com base nestes materiais, elaboramos uma lista das 7 dicas de ouro para não cair em golpes digitais. Confira o que dizem as autoridades:
1. Nunca forneça senhas ou códigos por telefone
Bancos não solicitam senhas, códigos de verificação nem pedem transferências por telefone para resolver pendências. Se receber uma ligação nesse sentido, desligue imediatamente e entre em contato pelos canais oficiais da instituição.
2. Desconfie de ligações alegando problemas na sua conta
Criminosos se passam por atendentes de instituições financeiras ou órgãos públicos para enganar as vítimas e obter dados sensíveis, como senhas, informações pessoais e códigos de segurança. Eles utilizam técnicas de engenharia social, explorando situações corriqueiras e criando um senso de urgência para que as vítimas forneçam informações confidenciais. O golpe de falsa central telefônica, nessa modalidade, dobrou em 2025.
3. Nunca compartilhe o código de verificação do WhatsApp
Golpistas tentam clonar contas de WhatsApp solicitando o código enviado por SMS, se passando por conhecidos, empresas ou instituições. Esse código é pessoal e intransferível — jamais o repasse a ninguém.
4. Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp
Essa camada extra de segurança dificulta o acesso não autorizado à sua conta, mesmo que o código de verificação seja interceptado. A opção está disponível nas configurações do aplicativo, em "Conta" > "Verificação em duas etapas".
5. Desconfie de mensagens urgentes, mesmo de contatos conhecidos
Pedidos incomuns ou com tom de urgência — envolvendo dinheiro, dados pessoais ou códigos — devem acender um sinal de alerta, independentemente de quem pareça ser o remetente. Confirme a informação por outro meio antes de agir.
6. Aprenda a identificar links e mensagens falsas
Criminosos atuam para roubar dados de cidadãos por meio de mensagens falsas, links suspeitos e tentativas de fraude. Antes de clicar em qualquer link recebido por mensagem ou e-mail, verifique o endereço com atenção e prefira acessar sites digitando o endereço diretamente no navegador.
7. Acesse apenas canais oficiais em caso de dúvida
Diante de qualquer suspeita, procure os canais oficiais do seu banco, operadora ou instituição. Não ligue para números informados por desconhecidos nem clique em links enviados por mensagem.





