O fenômeno El Niño já está em curso, e pode se intensificar a ponto de ser classificado como "super" até o final do ano. O alerta é do meteorologista Ruibran dos Reis, do Instituto Climatempo, em vídeo publicado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Para os agricultores mineiros, o cenário exige atenção: a previsão é de chuvas mal distribuídas, ondas de calor na primavera e no verão, e um período chuvoso "bem diferente" do habitual na próxima estação agrícola.
Os especialistas classificam como El Niño um fenômeno sazonal que já é conhecido há mais de 500 anos. Ele provoca aquecimento acima da média na água do mar na costa do Peru e do Equador: quando essa elevação supera a marca de 0,5°C, significa que o fenômeno começou. Atualmente, a temperatura naquela região está 1°C acima da média, caracterizando, segundo Ruibran, um El Niño "muito bem definido", com início registrado em maio deste ano.
A possibilidade do Super El Niño
Quando a temperatura da água ultrapassa 2°C acima da média, o fenômeno recebe a classificação de "super". Os eventos mais recentes do gênero foram em 1982, 1997, 2015 e 2024. Segundo os modelos climáticos, há uma tendência real de a temperatura superar essa marca a partir do segundo semestre de 2026. "Ainda não podemos dizer que vai ser um super El Niño, mas vamos ter um El Niño com forte intensidade", afirmou o meteorologista. A probabilidade de o fenômeno se estender até o início de 2027 é de praticamente 100%, atravessando inverno, primavera e verão.
Como Minas Gerais será afetada
Na região Sudeste, o El Niño tende a favorecer ondas de calor e chuvas concentradas em forma de temporais, sem a sequência de dias chuvosos que abastece o lençol freático de maneira mais eficiente. Para Minas, Ruibran traçou um calendário mês a mês:
Junho: chuvas acima da média em algumas regiões; Norte e Nordeste do estado com seca acentuada.
Julho: chegada de frentes frias no Triângulo, Oeste e Sul, mas temperaturas ficam acima da média.
Agosto e setembro: meses mais chuvosos que o esperado, com ondas de calor apenas na segunda quinzena de setembro.
Outubro: chuvas acima da média no estado.
Novembro e dezembro: precipitação muito abaixo da média e ondas de calor frequentes.
Janeiro: chuvas retornam, mas de forma isolada.
Impacto no campo
É justamente na virada da primavera para o verão, período mais decisivo para o plantio e desenvolvimento das lavouras, que o cenário se torna mais preocupante para a agricultura. A concentração de calor e a irregularidade das chuvas em novembro e dezembro podem comprometer culturas que dependem de precipitação regular nessa fase.
"O efeito do El Niño, principalmente aqui em Minas Gerais, vai ser sentido na agricultura no próximo ano", alertou Ruibran. Para orientar o planejamento agrícola, o meteorologista recomendou que produtores observem o comportamento do clima durante os El Niños anteriores — especialmente os de 2015/2016 e o de 2024, ambos de forte intensidade.
Assista ao vídeo:





