Uberaba tem porto seco, uma Zona de Processamento de Exportação e quase nove vezes mais moradores que Iturama. Em 2025, porém, quem vendeu mais para fora do país foi a cidade do Pontal. Com US$ 465,3 milhões em exportações, Iturama terminou o ano em sétimo lugar entre os 66 municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, com 5,4% de tudo o que a mesorregião embarcou. Uberaba, com 4,9%, ficou uma posição abaixo.
A classificação aparece no Panorama de Comércio Exterior da Mesorregião Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, divulgado na quarta-feira (21) pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG). O estudo faz parte de uma série que cobre todas as regiões do estado e foi pensado como ferramenta de inteligência de mercado para empresas, investidores e gestores públicos. Na frente de Iturama, só aparecem Araxá (29,4%), Uberlândia (9,9%), Araguari (9%), Patrocínio (8%), Ituiutaba (5,9%) e Indianópolis (5,7%).
Para medir o tamanho da virada, O Pontal News cruzou o relatório com o Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) que reúne as estatísticas oficiais de comércio exterior. Em 2024, Iturama tinha exportado US$ 287,8 milhões e ocupava a oitava posição, enquanto Uberaba era a quinta, com US$ 463,4 milhões. De um ano para o outro, as vendas ituramenses cresceram 61,7% e as uberabenses recuaram 7,2%. Desde 2019, primeiro ano da série consultada, é a primeira vez que a ordem se inverte.
Carne, açúcar e grãos
Carne bovina congelada segue no topo da pauta, com US$ 186,5 milhões (40,1% do total) e alta de 38% sobre o ano anterior. Logo depois vem o açúcar, que somou US$ 139,8 milhões, praticamente o mesmo valor de 2024, apesar de o volume embarcado ter subido de 288 mil para 329 mil toneladas. A novidade está nos grãos. Desde pelo menos 2015, o Comex Stat não registrava nenhuma exportação de soja ou milho a partir de Iturama.
Os embarques de soja começaram em maio de 2025 e os de milho, em setembro, e juntos somaram US$ 133,4 milhões até dezembro, quase 29% das vendas do município no ano. A base atribui cada operação ao município onde está o estabelecimento da empresa exportadora, e não ao lugar onde o grão foi colhido, o que indica uma mudança em quem exporta a partir da cidade, e não necessariamente na produção.
De cada três dólares, dois vieram da China, destino de 66,9% das exportações do município. Egito, Argélia, Índia, Marrocos e Arábia Saudita completam a lista dos principais compradores, cada um com fatia entre 2,6% e 4,3%.
Na conta por habitante, o contraste com Uberaba cresce. Com 38,3 mil moradores, segundo o Censo 2022, Iturama exportou o equivalente a US$ 12,2 mil por pessoa. Em Uberaba, que tem 337,8 mil habitantes, a média fica em US$ 1,3 mil. Quase dez vezes menos.
O Pontal no mapa
Outras três cidades da região também aparecem na base. Limeira do Oeste exportou US$ 146,3 milhões, tudo em açúcar, e ficou na 13ª posição. Carneirinho vendeu US$ 85,9 milhões, também em açúcar, e fechou em 17º lugar, com queda de 23% em relação a 2024. Campina Verde passou de US$ 1,6 milhão para US$ 20,4 milhões com amendoim e óleo de amendoim e chegou ao 28º lugar. União de Minas e São Francisco de Sales não registraram exportações no ano.
Somados, os quatro municípios exportadores da área de cobertura de O Pontal News venderam US$ 717,9 milhões ao exterior, 8,3% de toda a mesorregião. Se fossem uma cidade só, ficariam em quarto lugar no ranking, atrás apenas de Araxá, Uberlândia e Araguari.
Carneirinho ganha ainda uma segunda menção no relatório. A cidade integra o Arranjo Produtivo Local (APL) de Cerâmica do Triângulo, que reúne 50 empresas e cerca de 1,4 mil empregos diretos em oito municípios.
Terceira força do estado
No retrato regional, o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba foi a terceira mesorregião que mais exportou em Minas Gerais em 2025, com 20,9% do total do estado. Ficou atrás da Região Metropolitana de Belo Horizonte (38,3%) e do Sul de Minas (22,6%). As vendas externas chegaram a US$ 8,6 bilhões (+7,3%), as compras somaram US$ 2,5 bilhões (+20,9%) e o saldo comercial fechou positivo em US$ 6,1 bilhões.
Ferro-ligas (25,9%), açúcar (16,1%), soja (15,3%), café (14,6%) e carne bovina congelada (10,1%) lideram a pauta exportadora. A China fica com 44,1% de tudo, muito à frente de Estados Unidos (6,3%) e Países Baixos (6,2%). No caminho inverso entram principalmente enxofre e adubos, insumos que abastecem a lavoura e a indústria química. Nesse fluxo, Uberaba não tem rival: sozinha, respondeu por 66,7% das importações da mesorregião.
O relatório também soma R$ 61,98 bilhões em investimentos formalizados com o Estado entre 2019 e 2026 em 37 municípios da região, com previsão de 43,1 mil empregos. Entre os 14 maiores projetos listados, nenhum fica nas seis cidades do Pontal.





